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Anderson Silva

Então, o Anderson Silva acaba de ganhar sua décima sexta luta seguida de vale-tudo. Uma sequência assim é, de qualquer ponto de vista possível, incrivelmente improvável, senão efetivamente impossível. O mais assustador é que, se o Anderson não estiver dando nenhum tipo de sorte – isto é, se ele estiver apenas tendo o desempenho esperado de acordo com a sua habilidade relativa à dos oponentes -, então a superioridade dele é algo simplesmente grotesco, realmente difícil de acreditar. É como se os seus confrontos fossem mais semelhantes ao de um homem normal contra uma menina de sete anos.

No pôquer, por exemplo, eu sou um jogador não completamente incompetente em heads-up (torneios mano a mano), e, pelo menos contra um nível baixo de oponentes, eu posso esperar ganhar, digamos, 55% destes confrontos (não existem empates). 0,55 x 0,55 me dá a probabilidade de ganhar dois jogos seguidos – ou seja, já não sou um favorito para que isto aconteça, com 30,25%. Para cada confronto consecutivo, basta elevar a potência de 0,55, de modo que podemos ver claramente que a minha chance de ganhar cinco seguidas já é de apenas 5%; para oito seguidas a probabilidade já cai para menos de 1%; e para 16 seguidas estaríamos falando de 0,007%, equivalente a dizer que eu vou ganhar uma sequência de 16 duelos apenas uma vez em 14.286 tentativas. Isto, no mundo real, é o mesmo que dizer que é impossível. Quer dizer, na verdade, se pusermos 65.536 jogadores de pôquer num torneio de mata-mata, alguém vai ganhar 16 partidas seguidas e virar campeão – então é necessariamente possível ganhar -, mas ninguém, nunca, em nenhuma hipótese, vai ganhar este tipo de torneio no pôquer sem ter muita sorte.

Mas aí está o problema. Nós acreditamos que o Anderson não é apenas aquele cara sortudo dentre os milhares, mas que ele está invicto há tanto tempo pela simples imposição da sua superioridade. Mas qual será o grau de superioridade necessário para que uma sequência assim se torne provável, ou mesmo verossímil? Nem vou me preocupar com os números para 60% ou 70%. Vamos pular logo para a grosseria. Se você acha que o Anderson é muito melhor do que a média dos desafiantes (e veja bem: não estamos falando da média dos lutadores da categoria dele, mas sim da média de habilidade dos desafiantes do título, lutadores que já se mostraram superiores a outros para ter a oportunidade de encarar o Anderson), vamos dizer que ele tem 80% de chance de ganhar a luta. Então olha que ridículo: você é um lutador profissional a sua vida toda. Dieta, exercício até cair, técnicas, você é faixa-preta de uma ou duas modalidades, campeão mundial disto ou daquilo, afiou o boxe com o Ali e o cacete. Você é favorito contra quase todos os outros praticantes de vale-tudo no mundo. Você entra no ringue contra outro homem e… tem uma chance em cinco de derrotá-lo. Isto, em si, já soa absurdo. Mas o pior é que nem essa disparidade bastaria pra explicar a sequência de vitórias. Com 80% de chance de ganhar cada luta contra adversários fortíssimos, o Anderson só ganharia 16 seguidas 2,8% das vezes – uma em 36 tentativas. Com 85%, a sequência ainda é muito improvável, com 7,4% de chance de ocorrer. É apenas na casa dos 90% que a sequência começa a fazer sentido, já com 18,53% de chance de ocorrer a sequência. Agora, se você quer a probabilidade de vitória por luta que faça do Anderson um favorito para conseguir a sequência, então você quer o número de 96%. Aí o Anderson tem 52% de chance de ganhar 16 seguidas.

Então o único jeito de ser provável uma sequência com esta é se o sujeito que pisa no octógono contra o Anderson depois de trabalhar a vida toda pra chegar ali, tiver não mais do que uma chance de 25 de sair vitorioso -aproximadamente a mesma chance da menina de 7 anos. Essa disparidade parece exagerada – afinal, não é necessário que o Anderson seja favorito para conseguir a sequência, mas apenas que suas chances sejam relevantes. Mas também é improvável que ele pise no octógono com menos de 85% de chance de ganhar, pois aí ele já precisaria de bastante sorte para chegar aonde chegou (uma chance em 13,51). E é quase impossível que ele tenha menos de 80%.

Então o Anderson Silva é entre 4 e 7 vezes melhor do que os seus últimos 16 oponentes.

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