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Mundial de xadrez (3)

Cancela tudo – o  match  chato, a vantagem do desafiante. Anand respondeu imediatamente, no jogo de hoje, com uma miniatura, derrotando Gelfand em só 17 lances – o mais curto não-empate da história dos campeonatos mundiais. Voltamos ao empate no placar geral, com a diferença de que, agora, há o risco de virar tudo um grande banho de sangue.

Atualizando: absolutamente incrível. O campeão preparou uma armadilha de 9 (!!) lances de profundidade, que nem seu adversário, e nenhum dos 3 comentaristas ao vivo enteu. Apenas 2 lances antes de sua jogada final – a que causou a desistência de Gelfand -, todos acreditavam que Anand estava perdido, e estou falando aqui de alguns dos melhores jogadores do mundo, enganados que nem uns patos pelo engenho de Anand. É impressionante; por mais jogos que você veja, o jogo continua surpreendendo. O que aconteceu hoje foi – bem, foi mágica.

Anand x Gelfand, jogo 8, após 14…, ♕f6

Mundial de xadrez (2)

Surpresa! Depois de 6 empates nos 6 primeiros jogos, saiu uma partida decisiva, e ela favoreceu o desafiante, e grande azarão, Boris Gelfand. Com 5 jogos restando no controle clássico, agora se espera que o match pegue fogo, já que o campeão Anand deve fazer de tudo para ganhar ao menos uma das 3 partidas que ainda jogará com as brancas. Hoje, após o 28o lance branco, ♘c4, chegou-se a esta posição.

 

Bispo e cavalo são duas peças completamente diferentes (o bispo pode atravessar o tabuleiro com rapidez, mas pode se mover apenas por 32 casas; já o cavalo pode andar por casas brancas e pretas, e saltar sobre outras peças, mas fá-lo vagarosamente), mas de valores parecidos. Uma habilidade importante para o bom enxadrista é saber em que posições o bispo é melhor, e em que posições o cavalo é melhor. Esta posição favorece os cavalos brancos, pois o peão d4 cria dois pontos de apoio estáveis (c5 e e5) centrais e invadindo o território inimigo, e repare que nenhum peão preto jamais poderá defender essas casas. Já o bispo preto está preso atrás de seus próprios peões em casas brancas – é como se ele fosse mais um peão. Por ora, o cavalo preto defende os pontos de apoio, mas as pretas estão mais ou menos em zugzwang, sem poder mover o bispo (♗b7 deixa o cavalo sem defesa), e sem lance útil de torre. Ou seja, Anand precisou mover seu cavalo para tentar desembolar suas peças, mas com isso tirou a defesa tanto de c5 como de e5. Gelfand respondeu imediatamente com ♘c5, e dois lances depois colocou seu outro cavalo em e5. Em face do completo domínio dos cavalos brancos sobre o tabuleiro, as negras abandonaram em mais 7 lances, e agora o israelense é favorito para se tornar campeão mundial até o fim do mês. Seria uma situação inédita, pois pela primeira vez o campeão mundial decidido pelo modo clássico não estaria nem entre os 15 melhores do mundo. Mas, decerto, Gelfand terá derrotado, e convincentemente, a grandes adversários no caminho.

Mundial de xadrez

Está rolando o match (série de partidas) entre o campeão Anand, da Índia, e o desafiante israelense Boris Gelfand. É claro que, numa época em que qualquer iPhone joga melhor que o melhor humano, o match não é como costumava ser. Mas o mundial de xadrez ainda consegue atrair patrocínio milionário. A bolsa é de 2,5 milhões de dólares, com 60% indo para o vencedor – o que significa que os adversários estão brigando por meio milhão. (Apesar do que no fim de sua vida se mostraria como inequívoca loucura paranoica, devemos a Bobby Fischer o grande salto nesses valores.) É engraçado que, em nenhum outro dos grandes torneios do ano, o prêmio chega perto disso – posso estar enganado, mas acho que Vassily Ivanchuk, o ucraniano número 10 do mundo, acabou de vencer um torneio em Havana para ganhar coisa de 3 mil dólares. Enfim.

Como ninguém mais tem paciência pra nada, o match, que em 84-85 durou 48 jogos clássicos entre Karpov e Kasparov até ser interrompido (é sério, foi interrompido antes do término previsto para 6 vitórias para um lado, pois Karpov já aparentava estar doente de tanto jogar), neste ano será de, no máximo, 12 jogos clássicos (2h para 40 lances). Estando empatados os jogadores ao fim dos 12, jogar-se-ão jogos rápidos (30 minutos) e, se ainda empatados, os oponentes brigarão pelo título de campeão mundial em jogos relâmpagos. Isso mesmo: o décimo-sexto campeão mundial de xadrez poderá ser coroado com base no resultado duma partida de menos de 10 minutos de duração. Uma tragédia, mas, passados já 5 jogos clássicos com 5 empates, pode ser necessário.

Mas por quê? Bom, primeiro, fique claro, o empate é um resultado muito natural entre dois jogadores muito fortes – o jogo é simplesmente assim. A vantagem conferida às brancas por começarem o jogo é ínfima, então só é possível ganhar uma partida de xadrez contra alguém que cometa um erro, e, ora, os melhores do mundo cometem poucos erros. Isso sempre foi assim, mas na era dos programas sobre-humanamente fortes, os erros são cada vez mais raros, as preparações de abertura dos jogadores são cada vez mais iguais. Nesse nível, raramente um surpreende o outro, eles estão todos quase tão preparados quanto é humanamente possível, e (embora seja impossível decorar todo o xadrez) acabam caindo em posições que já estudaram em casa, a partir das quais já conseguem segurar o empate sem dificuldade.

Apesar de ter mais cara de matemática (em pôquer se trabalha se fala de fato em porcentagens, probabilidade, etc.), no pôquer a psicologia é um fator de grande peso, ao passo que o xadrez é um jogo de informação completa, diria até que é uma área de aplicação da matemática, e por isso os computadores já chegaram lá.

E por isso é até engraçado que ainda existam profissionais de xadrez, já que o melhor xadrez humano se tornou xadrez de segunda classe. E, contudo, os torneios entre programas (sim, existem) são incrivelmente chatos e – adivinhe – consistem basicamente de empates entre programas que se aproximam do xadrez perfeito, salpicadas de algumas vitórias destes contra programas mais fracos. Ou seja, o xadrez acabou, mas foda-se, as pessoas continuam jogando, nunca vai deixar de ser um jeito ótimo de deixar crianças mais inteligentes (o que por si bastaria pra justificar o xadrez), e ainda queremos ver batalhas ferozes entre esses verdadeiros gênios. E é isso. Enquanto houver algum espaço para o engenho humano nessa área da matemática, estaremos interessados. Mas certamente não é a profissão do futuro.

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